sábado, 21 de março de 2015

A ARVORE DE PÁSCOA






Árvore de Páscoa!
        Entre os vários símbolos usados na Alemanha durante a Páscoa, está o Osterbaum – a Árvore da Páscoa. As tradições da Páscoa, como as de outras festas religiosas, têm sua continuidade na Alemanha de hoje e foram levadas a outros países pelos que emigraram. A árvore da Páscoa é montada com um galho seco, que simboliza a frieza e morte do sepulcro de Jesus Cristo.

        No galho são colocadas cascas de ovos coloridas, que simbolizam a alegria da vida que significa a Ressurreição do Senhor. O ovo significa ou simboliza que há vida dentro dele e dali ela brota, apesar de estar escondida até o momento em que a ruptura acontece. Dentro do ovo está a vida. A Páscoa é Vida, Ressurreição, Esperança e Alegria, apesar da Sexta-feira Santa com a crucificação de Jesus. “Eu vivo, vós também vivereis”, é a sua mensagem gloriosa. O Osterbaum é assim apenas um símbolo, pois como cristãos celebramos e adoramos o Senhor e Salvador Jesus Cristo.

        Uma bonita tradição pascal que observamos na Sexta-feira Santa e do Domingo de Páscoa até duas semanas depois. Mas como isso começou? O Pr. Hachtmann me transmitiu no ano de 2001 a história deste simples mas tão significativo costume, como transcrevo agora:
       Entre os vários símbolos usados na Alemanha durante a Páscoa, está o Osterbaum – a Árvore da Páscoa. (Os símbolos têm sua origem na antiga Germânia, a região da hoje Alemanha). (...). As tradições da Páscoa, como as de outras festas religiosas, têm sua continuidade na Alemanha de hoje e foram levadas a outros países pelos que emigraram.
        A árvore da Páscoa é montada com um galho seco, que simboliza a frieza e morte do sepulcro de Jesus Cristo. No galho são colocadas cascas de ovos coloridas, que simbolizam a alegria da vida que significa a Ressurreição do Senhor. Colocamos ovos porque o ovo significa ou simboliza que há vida dentro dele e dali ela brota, apesar de estar escondida até o momento em que a ruptura acontece. Dentro do ovo está a vida nova que surge para a luz do sol.
        A Páscoa é Vida, Ressurreição, Esperança e Alegria, apesar da Sexta-feira Santa com a crucificação de Jesus. "Eu vivo, vós também vivereis", é a sua mensagem gloriosa. O Osterbaum é assim apenas um símbolo, pois como cristãos celebramos e adoramos o Ressurreto Senhor e Salvador Jesus Cristo. 

sábado, 13 de dezembro de 2014

TRADIÇÕES DE NATAL

O tempo de Natal (Weihnachtzeit, em alemão) na Alemanha começa com o período de Advento, ao final do mês de novembro, no 4º domingo antes da festa.
Nessa época do ano, acontecem os conhecidos Weihnachtsmarkt, (Feiras de Natal), que encantam as noites frias de inverno no oeste europeu, e a maioria permanece até os dias 23 ou 24 de dezembro. É frequentemente um ponto de encontro entre amigos e familiares.
O Advento é o tempo que antecede o Natal, por isso, para os cristãos, é um tempo de preparação. Mesmo que alguns relatos históricos datam que as primeiras celebrações foram na Espanha, entre os séculos 3º e 4º, o advento é comemorado principalmente por alemães, com várias tradições e costumes, incluindo as Feiras de Natal, conhecidas no mundo inteiro.

Coroa de Advento

 

 

Geralmente feitas de ramos de pinheiros e fitas vermelhas, as coroas de advento são importantes símbolos da época natalina. Essas guirlandas possuem quatro velas que são acesas a cada domingo que antecede o natal.
A origem dessas coroas vem de uma tradição pagã europeia. Conta-se que, na escuridão do inverno, ao redor de folhas eram acesas velas que simbolizavam o "fogo do deus sol" com a esperança de que sua luz e seu calor voltassem. E para evangelizar as pessoas, os primeiros missionários aproveitaram a tradição, dando novo significado a esse costume.
Representa união, o amor de Deus e as velas lembram que Jesus é a luz do mundo.

Calendário de Advento

 

O Calendário de Advento (Adventskalender), também é um dos principais símbolos do advento alemão. São janelinhas com números de 1 a 24 (representando o 1º dia de dezembro até o dia 24 que é a véspera de natal), podendo ser de vários tamanhos, materiais, cores e temas. 
O Adventskalender surgiu na Alemanha como incentivo às crianças para, de forma gradativa, viver a grande expectativa do Natal. Diversas formas se desenvolveram através da História, como por exemplo: fazer uma tabela com 24 riscos e, apagando uma por dia, dar às crianças um sentido temporal de aproximação do Natal; a confecção de um quadro com 24 frases bíblicas, lendo-se e comentando uma por dia; a colocação diária de um fio de palha no presépio, preparando o berço de Jesus e assim por diante.

TRADIÇÕES NATALINAS

A Árvore de Natal



Árvores de NatalO uso de uma árvore como símbolo remonta desde o segundo milênio antes de cristo. Os Indo-europeus consideravam as árvores expressão de fertilidade, prestando-lhe culto. Por outro lado, a civilização Egípcia atribuía à tamareira o significado vida, representando os vários estágios da vida humana (árvore da vida). Esta era enfeitada com doces e frutas. Também os Gregos usavam as árvores como “intermediários” entre o céu e a terra, fazendo através delas, reverência aos deuses. Os Romanos costumavam enfeitar pinheiros com máscaras de Baco, o deus do vinho, para venerar o deus Saturno, que era o deus da agricultura, da justiça e da força. A festa era chamada de “Saturnália” e coincidia com o nosso Natal. Já na China, o pinheiro significa longevidade, enquanto no Japão simboliza imortalidade.
A primeira referência à árvore de Natal aparece no séc. XVI, na Alemanha (Straßburg), que é hoje território francês (Strasbourg), e conhecemos por Estrasburgo. As famílias de lá costumavam enfeitar os pinheiros, na época de Natal, com luzes, flores de papel colorido, doces e frutas. Esse costume foi-se espalhando primeiro por França (séc. XIX), Inglaterra (séc. XIX), Estados Unidos e, no séc. XX, tornou-se tradição em Espanha e na maior parte dos países da América Latina.
Também se conta que a origem da árvore de natal foi quando o sacerdote Martinho Lutero, também no séc. XVI, adornou uma árvore com luzes no dia de Natal, de modo a simbolizar o nascimento de Jesus, luz do mundo.
No início, a Igreja Cristã negou-se a adotar esta tradição pagã. O pinheiro de Natal só passou a fazer parte das decorações natalícias nos lares cristãos há cerca de 100 anos. Quando os missionários adotaram o costume da árvore de Natal, escolheram o abeto, de forma triangular, para representar a Santíssima trindade, de modo a apagar a simbologia pagã associada.
Segundo a tradição alemã, ao decorar árvore de Natal, deveremos incluir doze adornos, de modo a garantir a felicidade desse lar, que passamos a nomear:
- Uma casa, que significa proteção;
- Um coelho, que significa esperança;
- Uma chávena, que significa hospitalidade;
- Um pássaro, que significa alegria;
- Uma rosa, que significa afeto;
- Um cesto de frutas, que significa generosidade;
- Um peixe, que significa a bênção de Cristo;
- Uma pinha, que significa abundância;
- Um Papai Noel, que significa generosidade;
- Um cesto de flores, que significa bons desejos;
- Um coração, que significa amor;
- Luz, que significa a vida (Cristo).
Hoje em dia encontramos a árvore de Natal em quase todas as casas, quer se trate de famílias cristãs ou não, como elemento decorativo da época de Natal.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

OS ALEMÃES E O FUTEBOL NO RS



Na Alemanha, segundo Allen Gutmann (1994), no contexto de acirrado nacionalismo do final do século XIX, as elites mantiveram-se inicialmente imunes à adoção do futebol, preferindo oficialmente a ginástica e as modalidades tomadas como patrióticas, supostamente menos competitivas e mais "pedagógicas". Entretanto, fora das escolas o futebol foi rapidamente assimilado a partir de 1890, gerando clubes e mais tarde ligas regionais. Finalmente, funda-se em 1900 a liga nacional, a Deutscher Fussball-Bund. O caráter de adoção lenta, se comparada a países como França e Itália, contou entretanto com ingrediente característico: a ampla e decisiva adesão das classes trabalhadoras (Guttmann, 1994:47-9). Na primeira década do século XX o futebol encontra-se amplamente "nacionalizado" e assimilado na Alemanha, o que facilita sua adoção por parte da colônia germânica no Brasil.

Com efeito, para o êxito verificado na introdução do futebol no RS acredita-se que os alemães estabeleceram algumas bases fundamentais, a exemplo aliás do que se pode verificar em diversas outras localidades, como Curitiba, São Paulo e Montevideo. Em se tratando de uma inovação comportamental sujeita a alto índice de rejeição na sociedade brasileira na virada para o século XX, os alemães cumpriram o papel de preparar o "terreno" para a sua fácil assimilação e aceitação.

O S.C. Rio Grande, o primeiro clube de futebol criado no RS, contou com participação majoritária e decisiva de alemães, pois foi um hamburguês chamado Minnemann seu principal articulador e eram de origem germânica a grande maioria dos sobrenomes dos fundadores do clube. Sabemos que a cidade de Rio Grande era foco de atração de comerciantes alemães enriquecidos nos circuitos coloniais. Segundo Mulhall (1974:48), ingleses e alemães dominavam o comércio principal da cidade já em 1871, e o setor industrial também foi alvo dos capitais germânicos acumulados na expropriação do pequeno produtor da zona colonial. No final do século XIX, os alemães em Rio Grande representam um percentual insignificante da população urbana, mas são dominantes no comércio de importação e no setor fabril (têxtil, chapéu, charutos etc), configurando assim um segmento muito influente na cidade (Roche, 1969:192).

E o SC Rio Grande nasceu justamente a partir do "Tiro Alemão" e do Clube Germânia, conforme se nota a seguir:

"Foi por uma nota redigida em alemão que os moradores de Rio Grande, pelo menos os da colônia germânica, souberam da existência daquele esporte novo, em que 22 homens tentavam chutar uma bola de couro. Assinado pelo alemão Johannes Minnemann, o convite anunciava que haveria um jogo de futebol às 9h30min do dia 14 de julho de 1900, no campo do Clube de Tiro Alemão. Havia ainda um aviso: após a partida seria discutida a criação de um clube em Rio Grande".
A vinda do futebol ao RS também tem, obviamente, relação com a presença de ingleses. Eram eles os principais importadores dos produtos das charqueadas platinas (Haesbaert e Moreira, 1980:84), e sobrenomes como Lawson, Mackenzie e Robinson circulavam com prestígio na Câmara do Comércio em Rio Grande. Esta pequena colônia inglesa, que por tradição sabemos fechada a influências culturais locais, reunia-se periodicamente, no estilo club, para suas típicas diversões e encontros sociais, incluindo-se o futebol na última década do século XIX. Em suma, os ingleses trouxeram a inovação (a informação, as regras e os equipamentos), e os alemães se empenharam na fundação do clube pioneiro, particularmente nas figuras de Johannes Christian Moritz Minnemann e Richard Völkers. Miguel Ramos (2000) sugere que nos primeiros anos do clube os ingleses garantiam a importação de bolas, uniformes e outros apetrechos enquanto os alemães ofereciam a sede social, o maior número de sócios (não por acaso as atas eram redigidas em alemão) e a perspectiva de expansão através da abertura gradual à participação de outras etnias, atitude aparentemente incomum entre ingleses.
Na capital, vemos a fundação do Grêmio Foot Ball Porto Alegrense no mesmo dia, 15 de setembro de 1903, que era criado o Fuss-Ball Club de Porto Alegre. Ambos amplamente dominados pela presença germânica. O Fuss-Ball ("futebol" em alemão), conforme já dito anteriormente, foi fundado por membros da Rodforvier Verein Blitz, e era completamente fechado à participação de indivíduos externos à esta comunidade. O Grêmio FBPA, por sua vez, se apresentava como uma espécie de clube alemão sem restrições absolutas a elementos alheios àquela comunidade, pois dentre os seus 23 fundadores, havia quatro nomes não-germânicos (Coimbra e Pinto, 1994; Pires, 1967). Trata-se da reprodução, no âmbito particular do futebol, de uma situação que se generalizava na vida social da Porto Alegre de então, a "cidade dos alemães".