sábado, 13 de dezembro de 2014

TRADIÇÕES DE NATAL

O tempo de Natal (Weihnachtzeit, em alemão) na Alemanha começa com o período de Advento, ao final do mês de novembro, no 4º domingo antes da festa.
Nessa época do ano, acontecem os conhecidos Weihnachtsmarkt, (Feiras de Natal), que encantam as noites frias de inverno no oeste europeu, e a maioria permanece até os dias 23 ou 24 de dezembro. É frequentemente um ponto de encontro entre amigos e familiares.
O Advento é o tempo que antecede o Natal, por isso, para os cristãos, é um tempo de preparação. Mesmo que alguns relatos históricos datam que as primeiras celebrações foram na Espanha, entre os séculos 3º e 4º, o advento é comemorado principalmente por alemães, com várias tradições e costumes, incluindo as Feiras de Natal, conhecidas no mundo inteiro.

Coroa de Advento

 

 

Geralmente feitas de ramos de pinheiros e fitas vermelhas, as coroas de advento são importantes símbolos da época natalina. Essas guirlandas possuem quatro velas que são acesas a cada domingo que antecede o natal.
A origem dessas coroas vem de uma tradição pagã europeia. Conta-se que, na escuridão do inverno, ao redor de folhas eram acesas velas que simbolizavam o "fogo do deus sol" com a esperança de que sua luz e seu calor voltassem. E para evangelizar as pessoas, os primeiros missionários aproveitaram a tradição, dando novo significado a esse costume.
Representa união, o amor de Deus e as velas lembram que Jesus é a luz do mundo.

Calendário de Advento

 

O Calendário de Advento (Adventskalender), também é um dos principais símbolos do advento alemão. São janelinhas com números de 1 a 24 (representando o 1º dia de dezembro até o dia 24 que é a véspera de natal), podendo ser de vários tamanhos, materiais, cores e temas. 
O Adventskalender surgiu na Alemanha como incentivo às crianças para, de forma gradativa, viver a grande expectativa do Natal. Diversas formas se desenvolveram através da História, como por exemplo: fazer uma tabela com 24 riscos e, apagando uma por dia, dar às crianças um sentido temporal de aproximação do Natal; a confecção de um quadro com 24 frases bíblicas, lendo-se e comentando uma por dia; a colocação diária de um fio de palha no presépio, preparando o berço de Jesus e assim por diante.

TRADIÇÕES NATALINAS

A Árvore de Natal



Árvores de NatalO uso de uma árvore como símbolo remonta desde o segundo milênio antes de cristo. Os Indo-europeus consideravam as árvores expressão de fertilidade, prestando-lhe culto. Por outro lado, a civilização Egípcia atribuía à tamareira o significado vida, representando os vários estágios da vida humana (árvore da vida). Esta era enfeitada com doces e frutas. Também os Gregos usavam as árvores como “intermediários” entre o céu e a terra, fazendo através delas, reverência aos deuses. Os Romanos costumavam enfeitar pinheiros com máscaras de Baco, o deus do vinho, para venerar o deus Saturno, que era o deus da agricultura, da justiça e da força. A festa era chamada de “Saturnália” e coincidia com o nosso Natal. Já na China, o pinheiro significa longevidade, enquanto no Japão simboliza imortalidade.
A primeira referência à árvore de Natal aparece no séc. XVI, na Alemanha (Straßburg), que é hoje território francês (Strasbourg), e conhecemos por Estrasburgo. As famílias de lá costumavam enfeitar os pinheiros, na época de Natal, com luzes, flores de papel colorido, doces e frutas. Esse costume foi-se espalhando primeiro por França (séc. XIX), Inglaterra (séc. XIX), Estados Unidos e, no séc. XX, tornou-se tradição em Espanha e na maior parte dos países da América Latina.
Também se conta que a origem da árvore de natal foi quando o sacerdote Martinho Lutero, também no séc. XVI, adornou uma árvore com luzes no dia de Natal, de modo a simbolizar o nascimento de Jesus, luz do mundo.
No início, a Igreja Cristã negou-se a adotar esta tradição pagã. O pinheiro de Natal só passou a fazer parte das decorações natalícias nos lares cristãos há cerca de 100 anos. Quando os missionários adotaram o costume da árvore de Natal, escolheram o abeto, de forma triangular, para representar a Santíssima trindade, de modo a apagar a simbologia pagã associada.
Segundo a tradição alemã, ao decorar árvore de Natal, deveremos incluir doze adornos, de modo a garantir a felicidade desse lar, que passamos a nomear:
- Uma casa, que significa proteção;
- Um coelho, que significa esperança;
- Uma chávena, que significa hospitalidade;
- Um pássaro, que significa alegria;
- Uma rosa, que significa afeto;
- Um cesto de frutas, que significa generosidade;
- Um peixe, que significa a bênção de Cristo;
- Uma pinha, que significa abundância;
- Um Papai Noel, que significa generosidade;
- Um cesto de flores, que significa bons desejos;
- Um coração, que significa amor;
- Luz, que significa a vida (Cristo).
Hoje em dia encontramos a árvore de Natal em quase todas as casas, quer se trate de famílias cristãs ou não, como elemento decorativo da época de Natal.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

OS ALEMÃES E O FUTEBOL NO RS



Na Alemanha, segundo Allen Gutmann (1994), no contexto de acirrado nacionalismo do final do século XIX, as elites mantiveram-se inicialmente imunes à adoção do futebol, preferindo oficialmente a ginástica e as modalidades tomadas como patrióticas, supostamente menos competitivas e mais "pedagógicas". Entretanto, fora das escolas o futebol foi rapidamente assimilado a partir de 1890, gerando clubes e mais tarde ligas regionais. Finalmente, funda-se em 1900 a liga nacional, a Deutscher Fussball-Bund. O caráter de adoção lenta, se comparada a países como França e Itália, contou entretanto com ingrediente característico: a ampla e decisiva adesão das classes trabalhadoras (Guttmann, 1994:47-9). Na primeira década do século XX o futebol encontra-se amplamente "nacionalizado" e assimilado na Alemanha, o que facilita sua adoção por parte da colônia germânica no Brasil.

Com efeito, para o êxito verificado na introdução do futebol no RS acredita-se que os alemães estabeleceram algumas bases fundamentais, a exemplo aliás do que se pode verificar em diversas outras localidades, como Curitiba, São Paulo e Montevideo. Em se tratando de uma inovação comportamental sujeita a alto índice de rejeição na sociedade brasileira na virada para o século XX, os alemães cumpriram o papel de preparar o "terreno" para a sua fácil assimilação e aceitação.

O S.C. Rio Grande, o primeiro clube de futebol criado no RS, contou com participação majoritária e decisiva de alemães, pois foi um hamburguês chamado Minnemann seu principal articulador e eram de origem germânica a grande maioria dos sobrenomes dos fundadores do clube. Sabemos que a cidade de Rio Grande era foco de atração de comerciantes alemães enriquecidos nos circuitos coloniais. Segundo Mulhall (1974:48), ingleses e alemães dominavam o comércio principal da cidade já em 1871, e o setor industrial também foi alvo dos capitais germânicos acumulados na expropriação do pequeno produtor da zona colonial. No final do século XIX, os alemães em Rio Grande representam um percentual insignificante da população urbana, mas são dominantes no comércio de importação e no setor fabril (têxtil, chapéu, charutos etc), configurando assim um segmento muito influente na cidade (Roche, 1969:192).

E o SC Rio Grande nasceu justamente a partir do "Tiro Alemão" e do Clube Germânia, conforme se nota a seguir:

"Foi por uma nota redigida em alemão que os moradores de Rio Grande, pelo menos os da colônia germânica, souberam da existência daquele esporte novo, em que 22 homens tentavam chutar uma bola de couro. Assinado pelo alemão Johannes Minnemann, o convite anunciava que haveria um jogo de futebol às 9h30min do dia 14 de julho de 1900, no campo do Clube de Tiro Alemão. Havia ainda um aviso: após a partida seria discutida a criação de um clube em Rio Grande".
A vinda do futebol ao RS também tem, obviamente, relação com a presença de ingleses. Eram eles os principais importadores dos produtos das charqueadas platinas (Haesbaert e Moreira, 1980:84), e sobrenomes como Lawson, Mackenzie e Robinson circulavam com prestígio na Câmara do Comércio em Rio Grande. Esta pequena colônia inglesa, que por tradição sabemos fechada a influências culturais locais, reunia-se periodicamente, no estilo club, para suas típicas diversões e encontros sociais, incluindo-se o futebol na última década do século XIX. Em suma, os ingleses trouxeram a inovação (a informação, as regras e os equipamentos), e os alemães se empenharam na fundação do clube pioneiro, particularmente nas figuras de Johannes Christian Moritz Minnemann e Richard Völkers. Miguel Ramos (2000) sugere que nos primeiros anos do clube os ingleses garantiam a importação de bolas, uniformes e outros apetrechos enquanto os alemães ofereciam a sede social, o maior número de sócios (não por acaso as atas eram redigidas em alemão) e a perspectiva de expansão através da abertura gradual à participação de outras etnias, atitude aparentemente incomum entre ingleses.
Na capital, vemos a fundação do Grêmio Foot Ball Porto Alegrense no mesmo dia, 15 de setembro de 1903, que era criado o Fuss-Ball Club de Porto Alegre. Ambos amplamente dominados pela presença germânica. O Fuss-Ball ("futebol" em alemão), conforme já dito anteriormente, foi fundado por membros da Rodforvier Verein Blitz, e era completamente fechado à participação de indivíduos externos à esta comunidade. O Grêmio FBPA, por sua vez, se apresentava como uma espécie de clube alemão sem restrições absolutas a elementos alheios àquela comunidade, pois dentre os seus 23 fundadores, havia quatro nomes não-germânicos (Coimbra e Pinto, 1994; Pires, 1967). Trata-se da reprodução, no âmbito particular do futebol, de uma situação que se generalizava na vida social da Porto Alegre de então, a "cidade dos alemães".

terça-feira, 27 de maio de 2014

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Slide Sapiranga


Slide feito pela professora Dóris Fernandes Magalhães, autora do livro Sapiranga 50 anos de Município. Mais de 200 de História

terça-feira, 29 de abril de 2014

Festa das Rosas


Festa das Rosas



Nos arquivos do Museu Municipal de Sapiranga, encontramos duas citações quanto à origem da denominação que nossa cidade recebeu: "Sapiranga - Cidade das Rosas".
A primeira referência aparece numa pesquisa feita pelo repórter Caubi Silva. Na Biblioteca Municipal e outras fontes, quando verificou que a idéia partiu do professor e jornalista Moniz Pacheco, comprovada por um artigo de sua autoria, na edição nº 139, de24/12/60, de "O Ferrabraz",cujo teor é o seguinte: "Sapiranga também tem motivos encantadores para constituir o seu brasão e nós indicamos aqui aspectos marcantes da evolução histórica, econômica e social de nossa cidade". Nosso emblema seria dividido em quatro partes, apresentando os seguintes símbolos: perfil do Morro Ferrabraz, indicativo de sua localização; figura do agricultor com a tradicional enxada, representando a sua primeira fonte de riqueza; chaminé, característica do seu atual desenvolvimento industrial e finalmente, um ramo de rosinhas dos canteiros da cidade.
Como Legenda, chamaríamos Sapiranga a "Cidade das Rosas", rosas que embelezam os canteiros das ruas e os jardins da cidade; rosas que simbolizam o espiritualismo e o sentimento estético dos sapiranguenses; rosas que transformam em festa perene toda a cidade, acenando, com o seu perfume e na policromia das suas pétalas como um gesto carinhoso e hospitaleiro para o visitante.
Fica aí a sugestão. Com votos de que saibamos aproveitar o que temos de mais preciosos, de mais enternecedor. ("M.P.)"
A segunda, e a mais divulgada, é aquela que atribui a Osvaldo Goidanich (primeiro Diretor do Serviço Estadual de Turismo do Estado), que em 1964, quando em visita à nossa cidade, surpreendeu-se com grande número de rosas que eram cultivadas pelas famílias sapiranguenses e sugeriu que Sapiranga fosse chamada de "Cidade das Rosas"
Neste mesmo ano, a administração, liderada pelo prefeito Oscar Balduíno Petry, aceitando a sugestão, iniciou o cultivo de rosas através de vários viveiros. Foram feitos canteiros nas vias públicas, criando praças exclusivas para rosas. Neste período, o Lions realizou palestras em escolas e entidades da comunidade, solicitando a colaboração da população para o devido cuidado das rosas.
A Festa das Rosas foi oficializada pela Lei Municipal de 04/11/64, passando a ser realizada no terceiro domingo de novembro nos anos ímpares. 
Na primeira edição da festa não houve escolha da rainha, somente no ano de posterior onde o critério era a venda de votos, cuja soma total era revelada durante o baile. Nos concursos seguintes , a escolha da rainha e suas princesas foi feitas por um corpo de jurados. 
A festa contava ainda com atividades como o concurso de jardins e buquês, desfile de carros alegóricos, exposição industrial no Palácio de Esportes com os principais produtos e indústrias do município, apresentação de corais, bandas marciais, desfiles de escolas, atividades esportivas, corrida de bicicleta, gincanas e shows artísticos variados. Inicialmente, a festa foi realizada anualmente. A partir de 1970, passou a acontecer de dois em dois anos. O local do baile era o Clube 19 de Julho e o da exposição era o Palácio de Esportes. Mais tarde a festa ocorreu ao ar livre, no Parque do Imigrante. Entre os aspectos que se fizeram presentes, podemos destacar em todos os eventos a confiança, a colaboração da comunidade, que não medem esforços para a realização da festa.
Até 1986, a Festa das Rosas realizou-se regularmente. A partir desse ano, tivemos 11 anos sem a realização da mesma.
Em 1997, resgatando valores da nossa comunidade, a Festa das Rosas voltou a acontecer no Parque Municipal do Imigrante, que contou com uma ampla rede gastronômica, apresentações artísticas, exposição industrial, cultural e esportiva.

Museu Municipal


Museu Municipal

Construído para sediar a Estação Ferroviária em 1903, é a sede do museu desde 1996. As peças contam a história da viação férrea e da colonização alemã. Partindo do slogan "Museu é Vida", ele registra e resgata os vários aspectos da cultura. Arquivo fotográfico, Museu itinerante, projeto Memória Oral, Reconstruindo nossa História, exposições de diversos temas. Localiza-se na Av. 20 de Setembro, 3675 - Informações fone: (51) 3559-4751